terça-feira, 12 de setembro de 2017

Furacão categoria 5

Em 1949, surgiu o apelido Furacão, em Curitiba, para uma equipe rubro-negro e composta apenas por jovens que brilhou no Campeonato Paranaense e faturou o título estadual de maneira épica com 10 vitórias, um empate e uma derrota em 12 jogos e uma média de 4,08 gols por jogo. Mais de meio século se passou e a lenda do tal Furacão ressurgiu, dessa vez com uma força sobrenatural e que atingiu todo o Brasil. Não importava a cidade, o Furacão se impunha em campo e vencia quase sempre com vários gols, às vezes de goleada. Mas era jogando em casa, em uma Arena construída especialmente para o deslize e ataque daquele vento incontrolável que os estragos eram maiores. Viradas. Goleadas. Um ataque rápido, criativo e devastador. A pulsação de uma fanática torcida. E um feito para a história. Em 2001, o Clube Atlético Paranaense conquistou seu primeiro título do Campeonato Brasileiro e marcou época do futebol nacional.

Com uma campanha digna, brilho tático e técnico e um conjunto entrosadíssimo, a equipe comandada pelo técnico Geninho e por Flávio, Fabiano, Alessandro, Kléberson, Adriano, Kléber e Alex Mineiro despachou adversários que eram até considerados mais fortes do que ela para erguer um troféu que até então apenas o Coritiba, maior rival, havia conseguido no estado do Paraná. Naquele ano, porém, tudo ficou igual. Com vantagem para o Furacão, que teve um aproveitamento muito melhor que o Coritiba de 1985. 

Início do ano
No primeiro semestre de 2001, o Atlético se reforçou com a contratação do atacante Alex Mineiro e, após ser eliminado na Copa do Brasil, o time deu a volta por cima no Campeonato Paranaense e conquistou o bicampeonato sobre o Paraná Clube mesmo tendo empatado os três jogos da decisão – fruto do regulamento, que beneficiava o time de melhor campanha na primeira fase, no caso, o Furacão. Depois do torneio estadual, o técnico Flávio Lopes deixou o comando da equipe para a entrada de Mário Sérgio, que ratificou o esquema 3-5-2 como principal do time para a disputa do Campeonato Brasileiro e ajudou na contratação do meia Souza e do atacante Ilan.
Troca no comando 
Após alguns deslizes no campo e críticas de Mário Sérgio criticando publicamente as saídas noturnas de vários jogadores como motivo da queda de rendimento do time, o técnico foi demitido após derrota para o Fluminense em casa por 2 a 1, na fase classificatória. 
Para seu lugar, a diretoria agiu rápido e trouxe Geninho, pouco conhecido no cenário nacional. O novo técnico não mexeu na estrutura tática do time e também adotou o 3-5-2, mas fez com que os jogadores passassem a jogar com mais garra, ofensividade e com foco total no ataque, principalmente pelo meio de campo, com a bola passando por Kléberson, Adriano, Kléber e Alex Mineiro. Além disso, Geninho cobrou mais disciplina e soube, aos poucos, domar os festeiros do elenco para fortalecer o profissionalismo do grupo.


Classificação com sobras
Com um bom começo, uma queda e uma recuperação irrepreensível, o Furacão terminou na segunda posição (atrás apenas do São Caetano) da fase de classificação com 15 vitórias, seis empates, seis derrotas, 58 gols marcados (melhor ataque) e 40 sofridos em 27 partidas. Com isso, a equipe teria a vantagem de jogar em casa os duelos únicos das quartas de final e de uma possível semifinal. Na decisão, disputada em dois jogos, a equipe só não jogaria a finalíssima em casa se encarasse o Azulão.

Time base: Flávio; Gustavo, Nem e Rogério Corrêa (Igor); Alessandro, Cocito (Pires), Kléberson, Adriano (Souza) e Fabiano; Kléber (Ilan) e Alex Mineiro. Técnicos: Flávio Lopes, Mário Sérgio e Geninho.
Quartas de final
Nas quartas de final, o Atlético-PR teve pela frente o São Paulo de Rogério Ceni, Belletti, Fábio Simplício, Júlio Baptista, Kaká e França, uma equipe com vários talentos no papel, mas que sofria com problemas internos e de egos. Jogando ao lado de sua fanática torcida, o Furacão não deixou o tricolor aprontar, venceu por 2 a 1 e se classificou às semifinais. Um fato marcante naquele jogo foi a marcação implacável do volante Cocito (xodó da torcida rubro-negra) no ainda jovem Kaká, que não suportou a pressão (e as faltas) do rival e chorou quando foi substituído justamente por causa de uma falta do “cão de guarda” rubro-negro.
Semifinal
Naquele campeonato, apenas uma equipe havia derrotado o Atlético-PR em plena Arena: o Fluminense. E era este mesmo Fluminense o adversário dos paranaenses na semifinal. A Arena da Baixada foi o palco do melhor jogo da competição, totalmente aberto, com equipes jogando um futebol de muita qualidade e puramente ofensivo. Não havia precauções ou retrancas. O negócio era gol! Para alegria dos torcedores. O jogo só foi decidido aos 44 minutos do segundo tempo, quando Alex Mineiro, camisa 9 e artilheiro atleticano, marcou seu terceiro gol na partida e decretou a vitória épica do rubro-negro por 3 a 2 num jogaço recheado de grandes jogadas, tabelinhas e bolas na trave. A vaga na final era o prêmio a um time que atacava sem parar e não se satisfazia com uma vantagem pequena no placar. Era preciso sempre mais e mais.
Final
Na final em dois jogos, o Atlético-PR encarou o melhor time da fase de classificação e que havia surpreendido todo o Brasil: o São Caetano. A equipe do ABC Paulista havia sido vice-campeã da Copa João Havelange do ano anterior e repetia a sina competitiva ao alcançar sua segunda final em dois anos. Comandados por Jair Picerni, os azuis eram difíceis de ser batidos e apostavam em uma marcação extremamente sufocante e disciplinada. Porém, no primeiro jogo, com a Arena completamente lotada e a torcida gritando sem parar, o Furacão atacou novamente e venceu o Azulão por 4 a 2, novamente com três gols de Alex Mineiro, que marcava três gols num jogo pela segunda vez e de forma consecutiva. O resultado dava ao Furacão a opção perder por até um gol de diferença para ficar com o título.
No dia do segundo jogo da final, o técnico Geninho abusou do lado psicológico para fazer com que seus jogadores entrassem no estádio Anacleto Campanella entusiasmados e convictos de que seriam campeões brasileiros. Depois da preleção antes da subida ao gramado, Geninho pegou uma caixa e retirou dela várias faixas de “campeão brasileiro”. O treinador começou a colocá-las em cada jogador e disse que todos eles já eram campeões. 
                                                                    Técnico Geninho
O recado foi prontamente atendido pelos jogadores e a iniciativa se mostrou muito criativa e acertada. Em campo, o Furacão jogou com segurança e autoridade, não deixou o São Caetano aprontar e ainda venceu o jogo por 1 a 0, gol, claro, de Alex Mineiro, que se tornou o primeiro jogador na história dos Campeonatos Brasileiros a marcar quatro gols em uma série final, superando Reinaldo (Atlético-MG, 1980), Marcelinho Carioca (Corinthians, 1998), Guilherme (Atlético-MG, 1999) e Luizão (Corinthians, 1999), todos com três gols. Pronto. Pela primeira vez na história o Clube Atlético Paranaense era campeão brasileiro de futebol!
                                                    Alex Mineiro após o jogo do título
A festa e a farra que tanto os rubro-negros não puderam fazer nos últimos meses podiam, enfim, ser extravasadas. E o time com melhor campanha e aproveitamento era premiado: 31 jogos, 19 vitórias, seis empates, seis derrotas, 68 gols marcados (melhor ataque) e 45 gols sofridos – aproveitamento de 67%. Alex Mineiro e Kléber foram os artilheiros do time na competição com 17 gols cada. Romário, do Vasco, marcou 21 gols e foi o goleador do ano.

                                                         Abaixo jogo de ida da final 


14 comentários:

  1. Era bem pequeno no título do Furacão mas eu lembro. Alex Mineiro era um grande atacante

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  2. Que materia foda! Adorei a retrospectiva. E o coração valente, entra onde nessa historia?

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  3. Sou tricolor mas para esse time eu tiro o chapéu.

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