segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Deixa os meninos "brincar"

A década de 60 foi marcada, tanto no Brasil quanto no mundo, pela hegemonia e brilho do Santos de Pelé. O esquadrão ganhou mais de 20 taças em anos mágicos com um time inesquecível que tinha, além do Rei, Pepe, Coutinho, Zito, Gilmar, Mauro e outros. Porém, após a Era Pelé, o Santos viveu um ostracismo terrível, com apenas alguns lampejos na década de 80 e na de 90. No início do século XXI, o clube praiano não sabia o que era levantar uma taça de peso há mais de 30 anos. Foi então que surgiu na Vila Belmiro uma legião de meninos que levariam o desacreditado time a um improvável e irresistível título nacional em 2002, um caneco conquistado de maneira dramática (com a vaga para a segunda fase conquistada na última rodada), com vitórias incríveis contra o grande favorito (o São Paulo de Kaká) e dois bailes na decisão contra o Corinthians, que buscava seu terceiro título na temporada. O mais marcante daquele Santos foi resgatar a magia adormecida que sempre foi característica do clube mais “moleque” e hábil do Brasil, que fez a torcida vibrar e cantar nos toques de Léo, Elano, Alex, Diego e o menino prodígio Robinho, o maior talento revelado pelo clube desde Pelé naquela época. A cena do garoto franzino dando oito pedaladas para cima do experiente lateral corintiano Rogério, na final do Brasileiro de 2002, foi o maior símbolo daquela geração.

Montagem do elenco

Depois de uma ampla mudança na filosofia do clube e reformas estruturais, o Santos decidiu investir nas categorias de base nos primeiros anos do século XXI para voltar ao caminho dos títulos, além de mesclar nomes de peso no elenco. A experiência quase deu resultado em 2000, mas o time perdeu a final do Campeonato Paulista para o São Paulo. A derrota serviu para o time rever o conceito dos tais nomes de peso e voltou os olhos somente para as categorias de base. O encarregado dessa missão foi o então novo técnico do time, Emerson Leão, recém-saído de uma péssima passagem pela seleção brasileira e um rápido estágio no Juventude. Leão viu nas bases do Santos jogadores promissores que dariam resultados muito positivos. Ele integrou ao elenco o ótimo Paulo Almeida, o polivalente Elano, o habilidoso meia Diego, e o arisco atacante Robinho, tido como joia por todos no clube. De início, Leão achava que o franzino garoto seria mais um driblador estilo Denílson. Mal sabia ele que Robinho era muito mais que aquilo. Os jovens se juntaram a Léo, Alberto, Renato, Alex, André Luiz, Fábio Costa e Maurinho, formando um time que começaria seu show justamente quando necessário: na fase decisiva do Campeonato Brasileiro.

Time base: Fábio Costa (Mauro); Maurinho (Paulo César), Alex (Leonardo), André Luiz (Ávalos) e Léo; Paulo Almeida (Fabinho), Renato (Preto Casagrande), Elano e Diego (Ricardinho); Robinho e Alberto (Deivid). Técnicos: Emerson Leão

Campeonato Brasileiro
Depois de um Torneio Rio-SP esquecível, o Santos disputou um Campeonato Brasileiro apenas razoável na primeira fase que tinha 26 jogando um turno único todos contra todos e só se classificou para a fase decisiva graças aos tropeços do Coritiba nas rodadas finais. O time foi o último na lista dos oito melhores do turno, que teve o São Paulo como líder, embalado com 10 vitórias consecutivas. E seria justamente o tricolor o adversário do Santos nas quartas de final. Muitos diziam que seria barbada a vitória do time do Morumbi. Porém, mal sabiam os “experts” que o Santos começaria exatamente naqueles dois jogos a renascer para a glória.
Quartas de final
No primeiro jogo, na Vila Belmiro, o Santos mostrou toda sua força ofensiva e contou com a imensa habilidade da dupla Diego e Robinho para fazer 3 a 1 no tricolor e levar uma ótima vantagem para a volta, no Morumbi. O Santos nem ligou para a pressão e venceu de novo, por 2 a 1. A classificação foi surreal para todos, mas serviu para o Santos perceber que havia, sim, grandes chances de título. 
Semifinal
O adversário foi o Grêmio, que jogava mais na base da raça do que na técnica. No primeiro jogo, na Vila, novo show santista: 3 a 0. Na volta, uma magra derrota por 1 a 0 e a vaga na sonhada final. O adversário seria o Corinthians de Gil, Vampeta, Deivid e Guilherme, comandados por Carlos Alberto Parreira e campeão da Copa do Brasil e do Torneio Rio-SP daquele ano.
Final
Ambos os jogos da final do Campeonato Brasileiro de 2002 foram no Morumbi, com os ingressos divididos em partes iguais para ambas torcidas. No primeiro jogo, o peixe derrotou o Corinthians por 2 a 0, com gols de Alberto e Renato. A vantagem era ótima. Na volta, o Santos não teria Diego, contundido. Mas a equipe poderia contar com um iluminado Robinho. O craque só não fez chover naquele jogo e protagonizou lances memoráveis. O primeiro, foram as inesquecíveis pedaladas pra cima de Rogério, que resultou em pênalti para o Santos. 
                                           Momento das oito pedaladas de Robinho
O craque bateu e fez 1 a 0. O Corinthians não se abalou e virou o jogo na segunda etapa, para desespero do torcedor do Santos, que começava a temer pelo pior. Será que o time iria morrer na praia de novo? De jeito nenhum! Robinho, sempre ele, iniciou uma jogada pela direita, cruzou e Elano empatou para o Santos aos 43´. O caneco era praticamente do Santos. Mas ainda faltava a cereja do bolo. Novo ataque do peixe, Robinho pela esquerda, ele chama Vampeta pra dançar, passa pelo volante e por mais um, toca e Léo fuzila para o gol de Doni: Santos 3×2 Corinthians. O lado santista do Morumbi explode em alegria: o Santos era, pela primeira vez, campeão do Campeonato Brasileiro de futebol. Depois de bater na trave em 1983 e 1995, o time da Vila conquistava de maneira primorosa o principal torneio do Brasil. Era a redenção e coroação da mais talentosa geração e craques formadas em casa do Santos desde a era Pelé. O titã havia renascido. Para nunca mais dormir de novo.
                                     Os meninos da Vila Robinho e Diego com a taça 
Fala torcedor!
Amor pelo Santos
Graças aos meninos da Vila, Bernardo Anderson de 23 anos começou a torcer pelo Santos. Natural do Rio de Janeiro se encantou com a seleção brasileira sub 17, que contava com talentos como Robinho e Diego e não viu nenhum problema em torcer para um time de outro Estado.
Meninos da Vila
Jovem e muito talentoso o time encantou todo mundo e foi conquistando o Brasil aos poucos


                                            
Presença na final
Oportunidade única em ver um título ao vivo, contra o maior rival e um time que marcou época!

2º jogo da final - Santos 3 x 2 Corinthians

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